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02-12-2008

Janete Costa: a pernambucana arretada que foi decorar o céu

Janetecosta

Texto de Adelia Borges:

"Janete Costa faleceu ontem, dia 28 de novembro, em Olinda, depois de longa enfermidade. Nascida em 3 de junho de 1932 em Garanhuns, PE, Janete formou-se em Arquitetura no Rio de Janeiro e desenvolveu uma carreira marcada por grandes contribuições nos campos da arquitetura de interiores, design expositivo, design de produtos e divulgação da arte popular e do artesanato brasileiros.

Casada com o arquiteto pernambucano Acácio Borsoi, Janete teve uma vida sempre rodeada de pessoas.Teve três filhos do primeiro casamento – Lucia, proprietária da galeria Amparo 60, em Recife; e Claudia e Mario Santos, arquitetos, residentes no Rio de Janeiro - e uma filha do casamento com Borsoi, a arquiteta Roberta, que mora em Olinda. Janete deixa uma legião de admiradores, que lembram dela não só como uma batalhadora obstinada, incansável, mas sobretudo como uma mulher extremamente generosa, afeto em estado bruto que derramava às pessoas ao seu redor, sem distinções de classe social, cor da pele ou qualquer outra circunstância.

Em Janete, ser brasileira – e, mais ainda, pernambucana – não foi mero adjetivo. O local de nascimento foi decisivo como norte de sua atuação, balizador. Ela teve um empenho visionário na questão de que a arte, o design e a arquitetura em nosso país precisam expressar as identidades culturais locais. Em sua trajetória, exercício profissional e vida pessoal sempre andaram junto com o exercício da cidadania. Teve uma ação decisiva em valorizar não só a arte popular brasileira, mas também os artistas, procurando sempre contemplar a questão da inclusão social e da geração de renda por meio de seus projetos.

Janete fez a curadoria e montagem de dezenas de exposições, entre elas Artesanato como um caminho, Fiesp/Ciesp, São Paulo, 1985; Bienal de artesanato, Centro de Convenções, Recife, 1986; Viva o povo brasileiro, Museu de Arte Moderna-MAM, Rio de Janeiro, 1992; Arte popular brasileira, Riocult, Rio de Janeiro, 1995; Arte Popular Brasileira e Arte Popular dos Estados, Carreau du Temple, Paris, 2005 (Ano do Brasil na França, convidada pelo governo brasileiro), Que Chita Bacana, Sesc Belenzinho, São Paulo, 2005, Somos-Criação Popular Brasileira, Santander Cultural, Porto Alegre, 2006, Do Tamanho do Brasil, Sesc Avenida Paulista, São Paulo, 2007; e Uma Vida - Janete Costa e Acácio Gil Borsoi, Museu do Estado de Pernambuco, Recife, 2007.

Como arquiteta, realizou projetos em bibliotecas, cinemas e auditórios, clubes, edifícios públicos, escritórios, galerias, hotéis, prédios comerciais e residenciais, lojas, museus, salas VIP, restaurantes e teatros. Fez edifícios públicos, palácios de governo, clubes, cinemas, teatros, escritórios, museus, salas vip de aeroportos.  Foram mais de 3.000 projetos em meio século de atividades. Toda a experiência que adquiriu em 2.000 residências ela foi passando nos últimos anos para os hotéis. Seus projetos preenchem todos os requisitos técnicos da hotelaria internacional mas ultrapassam as receitas rígidas da hotelaria suíça e da americana, resultando em espaços com personalidade e expressão cultural.

Janetecosta_caesar_lustre de pratos Janetecosta_caesar

O trabalho de Janete em design de produtos foi uma decorrência de sua atuação nos interiores, como arquiteta e decoradora. Em sua obsessão pelo detalhe, se não encontrava na produção industrial o que imagina para um ambiente, ela própria desenhava os elementos que iriam compô-lo – da cadeira à luminária, da colcha ao castiçal, lidando com facilidade com materiais como granito, mármore, vime, vidro, madeira, metal etc. A execução desses projetos era confiada, sempre que possível, a comunidades e cooperativas de trabalhadores.

Embora movida muito mais pela intuição do que pela razão, Janete pode ser considerada uma grande educadora. Clientes, estagiários, amigos são unânimes em afirmar que aprenderam a olhar, discernir e conhecer arte por meio da convivência com Janete. Vários arquitetetos e decoradores, sobretudo do Nordeste, dizem pertencer à “escola Janete”, aquela em que a cultura erudita e a popular eram absorvidas em pé de igualdade. Com os clientes, nunca exerceu uma ditadura do gosto, antes os levava a uma valorização de suas próprias histórias, somadas às vivências que ela proporcionava.

Personalidade eclética e vibrante, apaixonada pelo que fazia e pelas pessoas, Janete Costa foi uma grande brasileira.  Todos que tiveram o privilégio de conhecê-la, como eu, hoje choram de saudades da amiga e da mestra, e lamentam a perda irreparável."

Adélia Borges, 29 de novembro de 2008


Fonte do texto: Lista de A CASA museu do objeto brasileiro
Imagens:
Foto de Janete: Entrevista: uma questão de brasilidade
Caesar Park São Paulo: requinte no bairro da Vila Olímpia, destaque-se o lustre de pratos

[As imagens não fazem parte do texto de Adelia Borges]

30-11-2008

Surreal

Não moro na Amazônia. Nenhuma selva, nem mata alguma, há nessas paragens. Aqui é somente área de praia.
Então, por que hoje encontrei uma cobra na minha cozinha?
A culpa é sempre do vizinho. Plantou uma hera na parede que faz parte do nosso muro e passamos a conviver com uma diversidade de bichos intrusos, peçonhentos, etc.
A danada da cobra continua aqui. Ela é tinhosa, escondeu-se. Amanhã, vamos armar uma operação de guerra para expulsá-la do nosso território e esterilizar todos os utensílios.
Por hoje, nem pensar em perder uma noite de sono espreitando a sujeita sair da toca.

Flagrantes da Barra - os sabores, os troços, os costumes

O meu crepúsculo preferido

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O habitante da horta de Márcia

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Mangueiras da Barra, carregadinhas de amor pra dar

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Este ferro de engomar foi da minha avó Otília, tem impressas as marcas do suor de seu rosto e de suas calejadas mãos, como de um ferro em brasa...

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Mergulho na paisagem, nos sabores, na saudade

Saudades desse cantinho. Da boa prosa. Dos quitutes. Dos encontros com os amigos.

Estou dando um tempo, pressionada pelos compromissos escolares e trabalhistas [Não que isso aqui, não seja um trabalho também, além de lazer]. Mas, na vida sempre temos os compromissos de obrigação e aqueles de devoção. Minha cozinha, meu blog são uma devoção, mais que prazer. É impossível ficar muito tempo alheia ao que se passa e aos que passam por aqui, sem alimentar minha alma, meu espírito. Por isso, mesmo enrolada, venho dar o ar de minha graça, para rever os amigos e contar as novidades. Novidades...coisa antiga...

Antes que novembro encerrasse, precisava registrar mais uma das minhas introspectivas viagens ao meu interior. Foi em Finados.

Creio ter falado aqui que perdi minha mãe no início de março. Desde então, tem sido difícil, conviver com sua lembrança. Não obstante, o tempo vai passando, e como não há solução de retorno, as lágrimas pouco a pouco vão secando e acabamos assoando o nariz. Da dor, passamos a cultivar as lembranças dos momentos raros, das afinidades e a preservar o seu legado.

Em Finados, fui com meu filho, marido e uma de minhas irmãs (os demais irmãos moram distantes) fazer a primeira visita ao último refúgio da nossa querida e inesquecível Lady Laura. Minha mãe foi sepultada na Ramada - como seus pais e alguns irmãos -, um povoado vizinho da fazenda (a Barra) onde toda a sua família nasceu. O lugar é simples, bucólico e repleto de lembranças da nossa infância. A Barra, o Angico Torto e o Riacho do Barro são fazendas circunvizinhas, cujo núcleo é a Barra, e que têm muito significado para a família Benício-Gonzaga-Dantas-Queiroga, um ponto recorrente de origens da nossa família, pois foi propriedade dos meus bisavós, avós, e hoje é habitada por meus tios maternos. Como moro em João Pessoa, estou distante 500km da Barra, que fica no município de Sousa, lá onde os dinossauros deixaram suas pegadas.

A casa grande da Barra, de costas pro poente, no verão causticante do semi-árido nordestino.

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Como sempre costuma ser, quando visito esses lugares amados de infância, costumo submergir inteiramente no passado. E não poderia ser de outra forma. Parte da família ainda permanece no mesmo lugar e novas gerações já se identificam e se reconhecem com suas raízes. Encontrá-la é reviver as antigas emoções, a convivência feliz e povoada de presenças, mas sentindo a nostalgia do vazio deixado pelas ausências definitivas dos que partiram. Senti um abatimento ao adentrar na casa grande.

Foi a primeira vez que reencontrei os parentes, depois que nos despedimos de mamãe. Apesar da saudade e das repetidas referências sobre sua vida, procuramos amenizar a melancolia, relaxar, e rememorar mais os momentos alegres. Como a alma da casa está principalmente na cozinha, por razões óbvias, foi lá que passamos os dois dias inteiros. Fizemos almoços deliciosos. E o melhor: no velho fogão à lenha.

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Meus tios Nivaldo, Márcia, Valdenora e Genilda prepararam um carneiro, uma suculenta buchada com sarapatel, um peru, e curimatã (peixe de água doce) ao molho de coco. Daqui, levei um peixe dourado - do qual fiz moqueca - e também o fiz acompanhar com arroz ao curry e batatas gratinadas.

Ai, como comemos por esses dias. Sem esquecer o mungunzá, a coalhada com rapadura, o doce de gergelim, que foram tão presentes em minha vida de menina, e sempre feitos pelas mãos habilidosas de Genilda. Como ela cozinha bem!

As imagens falam mais do que palavras. Prefiro, então, mostrar um pouco desse ambiente e do clima que minha modesta câmara conseguiu captar. O tangível é possível de ser reconhecido. Em contraste, o sentimento que transborda a nossa alma ela jamais será capaz de apreender ou retratar. Fiquem com as imagens porque as receitas da família, são um patrimônio ainda oral, mas prometo, em breve, poder transpô-las para cá.

O suculento mungunzá (salgado) de Genilda

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O tradicional carneiro no cozimento

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Buchada à moda de Márcia

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Antigo petisqueiro da minha avó Otília

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Outro petisqueiro da era Otília

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O horizonte da Barra, até onde os olhos e a saudade alcançam. Vista a partir do alpendre da casa grande. O pontinho branco na imensidão azul é a igreja da Serra do Comissário. O morro ao centro, logo abaixo, marcado com uma trilha, é o distrito da Prensa.

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14-08-2008

Aboiando para além do meu sertão e suas veredas

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Por muito tempo, eu já não lembrava o que era, como era, um aboio.
Faz uma semana, retornei, depois de longos anos, ao Angico Torto, uma das fazendas do meu falecido avô, e que agora é objeto de herança. [Angico Torto localiza-se no município de Aparecida, antigo distrito de Sousa, que abriga o vale dos dinossauros, em pleno semi-árido nordestino].
Fui com uma tia fazer um reconhecimento do espólio, na condição de representante da minha mãe inesquecível.
E estava assim, distraída, quando, de repente, escutei o vaqueiro aboiar, tangendo o gado.
Senti uma fisgada no coração. Uma torrente de emoções e lembranças, irromperam como num filme.
Lembrei que, toda tardezinha, quando o meu vô Zuca e seu vaqueiro transportavam o gado do pasto para o curral, um cenário se repetia.
O sol deitava no horizonte. Sempre fazia calor. Do alpendre da casa grande da Barra, eu assistia, todos os dias, ao  mesmo ritual, junto com minha avó e tios.
O aboio do vaqueiro misturava-se aos mugidos, que se misturavam à sonoridade dos chocalhos, ao galope do cavalos, ao trotar do gado, ao lamento de Luiz Gonzaga,

"Numa tarde bem tristonha
Gado muge sem parar
Lamentando seu vaqueiro
Que não vem mais aboiar
Não vem mais aboiar
Tão dolente a cantar
Tengo, lengo, tengo, lengo,
tengo, lengo, tengo
Ei, gado, oi..."

Em quinze minutos, não mais do que isso, o sol se punha. E uma brisa promissora chegava com a noite e o silêncio no campo. No coração da casa, um outro ritual se enredava: queimava-se o esterco do gado para espantar as muriçocas, acendia-se  o lampião a gás, a cozinha entrava em polvorosa, cheiro de café fluía pelas entranhas da casa, enquanto ressoavam os barulhos de pratos, talheres e canecos que timbungavam dend'água dos potes. À  zoada da cozinha, cruzavam-se as múltiplas e estridentes vozes que vinham do alpendre, as gaitadas espaçosas das anedotas sobre os sestros e cacoetes de Manoel Benedito. Formava-se um grupo, quase uma multidão, quase uma festa, entre familiares e convivas de seu Zuca Benício, esperando a ceia. 
Sim, na Barra, o jantar era ceia. E uma ceia farta de coalhada com açúcar mascavo, munguzá com leite ou toucinho frito, batata doce, jerimum, ovos de galinha de capoeira, tapioca com manteiga de garrafa e queijo feitos em casa pela minha avó Otília. Não esquecendo a gula que, sendo um pecado à parte, exigia sempre carne com muita gordura, um perigo.
A prosa do alpendre se prolongava à mesa, que depois retornava ao alpendre. Contavam-se as novidades, falavam-se sobre pessoas conhecidas e sobre gado, sobre feiras, roçados, relatavam-se causos. Até pairar um clima de bem estar, um silêncio e o relaxamento - apesar do cansaço -, e se esticarem as redes por toda a casa.
Daí, a boca da noite vira uma fresca madrugada, noite escura, estrelada de vias-lácteas, vagalumes, cruzeiro-do-sul e almas de outro mundo. Vez em quando, lá de fora, o inesperado som de um chocalho. A noite adentra sorrateiramente, alheia às batidas do relógio, entre redes armadas e, por entre, ressonares dos dormentes, despertados finalmente com a alvorada e o canto da passarada.

Daqueles tempos, até o presente, não sei o que foi feito do encantamento, daquela menina, pelo burburinho da fazenda. Do distanciamento, para tocar os estudos, formar família, e as moradas em sucessivas cidades, mais a dispersão dos parentes, as perdas dos entes queridos; só me restaram a saudade e um vazio, a partilha de um mundo desfeito, jamais reconstituído. Nada trará de volta o meu povo, o meu sertão, meu tamarindo. Somente as ilusões de reencontrar o tempo perdido, despertadas pelo aboio de um vaqueiro, "demoram-se na beira da estrada / E passam a contar o que sobrou."

Eh, ôô vida de gado.

Post originalmente escrito para Eu Bloggo.

25-07-2008

Din-din azul

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Ando tão saudosa da net, da prosa com os amigos, do balcão, do caderno de receitas...
À frente só enxergo montanhas de livros, canetas, riscados, etiquetas, rascunhos, e a imensa e fantasmogênica presença do meu orientador.
Den'demim, só há um trapo de pessoa, baranga dos dias e das noites sem fim, diante de mon écran, enclausurada em torre de marfim, visivelmente demodé, alienada dos tempos, esquecida dos colegas de trabalho e dos amigos do coração.
Deste cantinho, minúsculo espaço onde só caibo numa cadeira sobre o traseiro cansado e moldado pela eterna posição de estudante, cujo cérebro vagueia na longa jornada e penosa lavagem, para provar não-sei-o-que, nem-sei-pra-quem... Cá estou, varando noites silentes, desertas, quando apenas a arrogância dos eruditos contrastam com a ingenuidade e humildade da aprendiz  que nada sabe sobre nada e tudo ignora, em pleno degredo, desterrada do terrritório de minhas manipulações, das caçarolas e alfárrabios engraxados de gordura, do precário e precioso fogão, e dos familiares cheiros de vida.
Sabe-se lá quando um dia poderei voltar a produzir meu próprio sustento, doce mel da minha existência.
Sabe-se lá quantos chás com bolachas ainda sustentarão esta penúria.
Sabe-se lá quando será o coffee-break...
Entre uma solidão e outra, certa noite, nesta nave iluminada, as lembranças gustativas arrancaram-me das mal traçadas linhas, para uma inesperada trilha nostálgica. Para um lugar querido, tempo longínquo, remoto, quiçá outra dimensão, quando eu não passava de uma menina-quase-mulher cheia de sonhos,  estudante deslumbrada, enamorada e ansiosa por um lugar ao sol.
Vi a imagem de uma garota feliz com um din-din azul, que me transportou pro meu interior, num dia de sol, na feira livre de Santa Cruz do Inharé, estudantes em algazarra, quando trabalhávamos duro para conquistar a nossa noite de sonhos  - o baile de formatura -  vendendo jarras de refrescos e picolés de Q-suco.
Quando penso hoje, que não se deveria apreciar as tubaínas, essências simbólicas do nosso mundo descartável, que não faço a mínima idéia de como se pode deglutir esses xaropes, quase esqueço que as coisas simples e prosaicas também serviram para construir os meus sonhos...
E, quando a memória reluta em trazer as experiências do melhor tempo vivido, do desejo de conquistar o mundo, admito que a comida ou a bebida presente nessa lembrança não é a que embeleza a mesa, mas aquela que nutre a alma.
Importante é que não exageremos na viagem. A vida real é hoje, aqui, agora. E que, como dizem: "a lembrança é como o sal: a quantidade certa dá tempero a comida, mas o exagero estraga o alimento. Quem vive muito no passado, acaba sem presente para recordar."

Foto: Como está visto, viajei na viagem de Alexandro Gurgel a Santa Cruz do Inharé.

05-06-2008

Crise alimentar

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Será que apenas uma pequena parte da população mundial percebe que os preços dos alimentos não param de subir?  Não é uma realidade somente doméstica, no nosso interior, na nossa cidade, neste país. Milhões de pessoas no mundo já estão sendo afetadas. Protestos e mais mais protestos estão eclodindo de Bangladesh à África do Sul. Pelas previsões de organismos supra nacionais, 100 milhões de pessoas estão em risco de morte por fome. A ONU já convocou chefes de estado em Roma para combater a alta dos alimentos.

Participe também da campanha da Avaaz.org para conter a crise alimentar, no sentido de conseguir assinaturas para que nossas vozes cheguem aos líderes globais diretamente. Clique no link para assinar a petição e encaminhar para todos que você conhece – não só pelos nossos bolsos, como também pelas milhões de pessoas que virão a passar fome no mundo.

Petição aos líderes do Encontro de Roma:
"Pedimos uma ação imediata contra a crise alimentar global adotando as seguintes medidas: moblização de um fundo emergencial contra a fome; remoção de subsídios perigosos que transformam alimentos em biocombustíveis; ação contra a especulação financeira prejudicial; avaliação de políticas comerciais injustas; e investimento na produção agrícola sustentável em países em desenvolvimento."

A campanha da Avaaz foi uma resposta ao apelo da Ministra das Relações Internacionais da Serra Leoa, onde 90% da população passam fome.

"A crise alimentar, como o aquecimento global, é uma emergência planetária. Essa situação só demonstra o quanto nosso sistema econômico é interdependente e frágil. Nós agora só precisamos nos unir alem das fronteiras e divisões étnico-culturais para lutar pelo nosso direito básico á uma alimentação digna." (Avaaz)

Saiba mais sobre a Avaaz.

Leia mais sobre o assunto:

Líderes mundiais discutirão crise dos alimentos em Roma - Reuters Brasil
Crise dos alimentos deve levar mais 10 milhões à pobreza na América Latina - Folha Online
Crise de alimentos afeta 22 países, adverte FAO - Portal Exame

Imagem: WFP

14-05-2008

Cereais gostam de música clássica

Cereais gostam de música clássica, alega uma equipe de cientistas sul-coreanos, após identificar dois genes do arroz que respondem de forma mais ativa ao serem submetidos aos sons de compositores como Ludwig van Beethoven.
Apesar de ter provado que as plantas respondem à luz, que afetam e otimizam seu crescimento, e também ao tato, o que reforça a resistência ao vento, até agora a reação ao som era um mistério. Leia aqui.

Música pode afetar sabor do vinho

Uma pesquisa realizada por psicólogos afirma que tomar vinho enquanto se escuta um determinado tipo de música pode afetar a forma como se percebe o sabor da bebida.

A pesquisa realizada por psicologistas da escocesa Heriot Watt University, em Edimburgo, demonstra que quando uma taça de cabernet foi tomada ao som de música pesada, o vinho foi percebido como "60% mais poderoso, rico e robusto" do que quando tomado no silêncio. Leia mais.

08-05-2008

Refrescando a memória e matando a saudade de L. Laura

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Não sei se os leitores perceberam minha ausência entre os meses de janeiro, fevereiro, até a segunda quinzena de abril.

Falei uma vez aqui que não sabia combinar muito bem tristeza com comida. Sei que faz parte da cultura de alguns países, ou melhor dizendo, de alguns povos, o ritual de comer e beber, enquanto velam seus entes queridos. Confesso que eu não conseguiria. Eu perdi minha mãe no início de março e mergulhei num marasmo profundo, sem elã para vir aqui falar de delícias e prazeres...

Percebam que fui voltando aos poucos, mas, ainda por ora, não sinto entusiasmo de sair pela cozinha tirando fotos das minhas obras culinárias. Estou me refazendo, gradativamente. A cozinha é um tema muito relacionado com a figura de minha mãe, e será sempre. As mães são sempre as grandes referências culinárias de seus filhos, por razões óbvias.

Nesta foto, minha mãe aparece sorridente, junto à mesa, com um prato na mão que, suponho, não era o seu. Tenho quase certeza de que ela fazia o prato de meu pai, pois tinha o hábito de serví-lo primeiro. Meu pai, de óculos, está atrás dela, obviamente, aguardando ser servido, comme d'habitude. A foto foi tirada em Pesqueira-PE no início da década de setenta, em casa de casal amigo, que comemorava o batizado de seu filho. Além dos meus pais, algumas pessoas presentes na foto já não se encontram entre nós, mas como todos eram amigos muito queridos, sinto-me grata por hoje poder lembrá-los através da foto deste almoço.