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07-05-2008

As lentilhas da rainha Hatchepsut

por Joana Monteleone

A múmia da mulher mais poderosa a governar o Egito antigo, Hatchepsut, foi identificada há pouco tempo pelo maior arqueólogo do país, Zahi Hawass. Hatchepsut viveu há cerca de 3,5 mil anos. Filha de Tutmés I e da rainha Ahmose, casou-se com o meioirmão Tutmés II, como era costume. Quando o marido morreu, o herdeiro oficial, Tutmés III, ainda era criança. Desta maneira, Hatchepsut assumiu o poder – e governou por cerca de 20 anos, num dos mais longos e pacíficos reinados da história dos faraós.

Hatchepsut gostava de comer: a múmia encontrada no vale de Deirel-Bahari era obesa, e suas representações também a mostram desta maneira. Mas, falar da comida do Egito antigo é como atirar flechas ao vento. Nunca se sabe exatamente no que vai se acertar. Ainda assim, as paredes das pirâmides estão cheias de ilustrações do cotidiano dessa civilização que floresceu há mais de 5 mil anos.

Nos túmulos dos reis e nobres das primeiras dinastias, muitas oferendas estavam retratadas nas paredes. Pela crença, elas asseguravam que o morto se serviria de uma porção diária de comida em sua vida no além. O nome e a quantidade dos alimentos estavam escritos em hieróglifos, permitindo aos arqueólogos de hoje terem uma idéia do “menu” cotidiano dos egípcios daquele período.

É claro que a mesa dos faraós era privilegiada. No caso de Hatchepsut, e de todos os seus ancetrais e descendentes, dispunham-se as iguarias provenientes de todos os lugares do reino – lentilhas, favas, ervilhas, abóboras, coentro, bolachas, leite, carne-seca, ervas, frutas, carneiros, gansos, codornas, peixes, mel, frutas secas e romãs, acompanhadas de vinho e cerveja. E também alimentos essenciais para a dieta do povo como pães de trigo sheben e khepesh e uma espécie de cerveja muito energética chamada henequet.

Entre as receitas sofisticadas servidas aos faraós chama a atenção a simples, mas certamente saborosa, sopa de lentilhas amarelas, feita com cebola, sal, cominho e azeite de oliva. Mesmo com a distância de mais de 3 mil anos a nos separar, um bom prato é sempre um bom prato!

De: História Viva.

29-04-2008

McMundo globalizado

Em mais uma matéria sobre alimentos, a Galileu constata que "O McMundo é globalizado" [se é!] através de um estudo que concluiu que "alimentos de fast food são os mais internacionais, agregando ingredientes de todo o mundo. A receita do Big Mac, por exemplo, é praticamente uma assembléia da ONU".  Veja a toda a matéria, onde poderá conhecer a origem de cada ingrediente utilizado no BigMac.

O estudo aponta para a tendência de homogeneização da alimentação mundial e fala do nosso "desprezo por certos produtos regionais - como os usados pelos povos indígenas, que caíram em desuso [...]".

A matéria é de Flávia Pegorin.

22-04-2008

D.O.M. é o 40º melhor restaurante do mundo

O restaurante D.O.M.(São Paulo) de Alex Atala, foi eleito o 40º melhor do mundo pela revista inglesa Restaurant. D.O.M é o único da América Latina que aparece no ranking de 50 melhores do planeta que a publicação divulga anualmente, desde 2002; mas, em relação ao ano passado, o restaurante caiu duas posições na lista.

Veja o vídeo e a receita do Aligot (purê de batata com queijos gruyère e minas padrão)de Alex Atala, publicada pela Veja São Paulo.

Aligot290

20-01-2008

E a comida? Chegou de moto!

Por Adriana Lima

Segundo a Associação Brasileira de Motociclistas, 500 mil trabalhadores ganham a vida fazendo um importante movimento que, num passado recente, poderia ser definido como “da cozinha para copa”. Ou seja, milhares de motociclistas profissionais levam a comida saída do forno para quem deseja consumi-la. E não podem demorar fazendo isso. Os clientes – e o patrão - têm pressa.

Exército de motoboys leva ao consumidor as tradicionais pizzas, produtos
orgânicos e até sorvetes
Crédito: Microsoft

A food delivery – ou em bom português “entrega de alimentos” – é apenas uma vertente de um grande negócio chamado food service ou “alimentação fora do lar”, que, de acordo com os dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), faturou R$ 38 bilhões somente no ano passado e reúne um milhão de estabelecimentos entre restaurantes, padarias, bares e lanchonetes, nos quais os brasileiros deixam 26% de tudo que gastam com alimentação. A previsão é que em 20 anos esse percentual chegue a 40%, patamar já atingido e ultrapassado pelos Estados Unidos e Europa.

O destaque do segmento é a demanda por alimentação rápida, a conhecida fast food. São coxinhas, arroz com feijão e carpaccios consumidos entre o término de uma reunião e a apresentação de um relatório. “As pessoas têm uma idéia equivocada de que fast food são hambúrgueres das grandes redes de lanchonetes. Se um estabelecimento oferece condições para que um cliente, em um tempo curto, entre, coma e saia satisfeito, ele pode ser considerado fast food ” esclarece Célio Salles, membro do Conselho de Administração da Abrasel. Leia mais >>

16-01-2008

Comida gordurosa e aditivada

Comida_gordurosa_e_aditivada

Pesquisa feita por cientistas israelenses destaca potencial dos polifenóis para reduzir risco de alimentos muito gordurosos e sugere que fabricantes incluam substância como aditivos em produtos. Leia mais >>

Delícias das Sinhás

Delcias_da_sinh_fapesp

"Uma pesquisa realizada no Centro de Memória (CMU) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) resgatou, a partir de antigos manuscritos, mais de 200 receitas tradicionais de doces paulistas do século 19. Diversas foram fielmente reproduzidas pelos historiadores.

As 82 receitas testadas e aprovadas estão no livro Delícias das sinhás – História e receitas culinárias da segunda metade do século XIX e início do século XX, lançado em dezembro, e podem ser reproduzidas pelos leitores e quituteiros de plantão.

A obra inclui fotos dos doces reproduzidos, além de descrições dos utensílios empregados para preparar e servir as iguarias, da mobília e dos ambientes das casas dos barões do café da região de Campinas, no interior paulista." [...] Leia mais >>

Delícias das sinhás – História e receitas culinárias da segunda metade do século 19 e início do século 20
Autor: Fernando Abrahão (Org.)
Editora: Arte Escrita
Preço sugerido: R$ 70

12-12-2007

Terra Madre Brasil

"Apaixonada pela delícia dos aipins, tapiocas, farofas e beijus, quis 'dar uma força' e tirar do anonimato esses coadjuvantes tão sensacionais. Fiz a tapioca brulée, técnica franco-brasileira, gosto e produtos nacionais". Teresa Corção

Arca do Gosto

Um catálogo mundial que identifica, localiza, descreve e divulga sabores quase esquecidos de produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos, com potenciais produtivos e comerciais reais...

O catálogo ainda não inclui produtos brasileiros, mas podemos indicá-los >>

Bichos na sua comida

Bichos nos alimentos dos bebês? Micróbios em seu milkshake? Relaxe, não é este o último susto de decadência alimentar - é uma tendência crescente nos alimentos destinados a aumentar a saúde, não deixá-lo doente. Esses produtos contêm probióticos , ou bactérias "amigáveis" semelhantes aos encontrados no sistema digestivo humano. Há pílulas suplementares, iogurtes, smoothies, petiscos e barras de cereais,... Leia mais>>

03-12-2007

A delícia de rever e saborear Natal

Faz tempo, vinha idealizando um retorno a Natal. Não nos moldes das rápidas viagens a trabalho que fiz nos últimos anos. Mas, uma viagem de introspecção. E, de preferência, com meu filho.

As mais fortes lembranças, estão relacionadas às viagens com meus pais, irmãos ou amigos, do tempo em que morei em Santa Cruz - cidade próxima de Natal -, e àquela viagem que fiz com o marido e o filhote. Certamente, pela idade e entusiasmo do moleque por banhos de mar e piscina, e passeios de buggy, é que a viagem foi um marco dos dias mais felizes que vivemos juntos.

Uma das inesquecíveis que fizemos àquela cidade, foi no início dos anos noventa, com o Pippe criança [hoje, tem 21 anos]. Natal despontava como destino turístico, e não desfrutava do atual sucesso retumbante. Havia menos tumultos e poluição nas praias, menos turistas. Tinha bons hotéis, mas sua rede de restaurantes ainda era bem modesta.

Eis que, no feriadão mais recente de novembro, depois de um longo tempo, pude fazer uma catarse, no melhor sentido.

Provei da melhor comida - nada sertaneja, como se era de esperar -, curti a brisa e me refestelei no mar e nas suas paisagens. Fartei-me com caranguejo, peixe, camarão.

E, obviamente, morri de saudade [o que não é novidade, pois eu vivo repleta de saudade, todos sabem]. Dos tempos quando morei naquele estado, dos amigos, da minha família já dispersa, dos fins-de-semana em Natal. Onde eu queria definitivamente ficar.

Sei que, para alguns, pode soar nostálgico observar o tempo passar. Reconforta-me, porém, a oportunidade de fazê-lo, de reviver, de reconhecer que a vida me tem sido rica em experiências, em momentos felizes, em pessoas amadas.

Pra encurtar as delongas, no feriadão,  reuni os trapos, enchi as mochilas, 'garrei o filho, a namorada deste, e o marido, e arrancamos para a cidade das dunas, das águas mornas, da infância do filhote e das minhas lembranças de adolescente.

Pretendíamos fazer um roteiro de introspeção, e optamos pelo mesmo hotel onde nos hospedamos no passado, o Parque da Costeira. Valeu a pena. O hotel, ampliado, oferece mais serviços de entretenimento, principalmente aos jovens e crianças; o restaurante foi aumentado, o cardápio está variadíssimo.

No campo da gastronomia, nos surpreendemos com os nítidos avanços locais: uma cadeia densa, dinâmica e moderna de restaurantes, bares, botecos, confeitarias e lanchonetes, com o melhor atendimento. Por onde passamos, observamos essa qualidade desde os estabelecimentos mais simples, ou rústicos, aos mais requintados.

Como a cidade cresceu muito, tivemos muitas e novas atrações para descortinar. Em função da praticidade, e para efeito das comilanças, resolvemos seguir o precioso roteiro Veja Natal: o melhor da cidade - 2007/2008 sobre restaurantes, bares e comidinhas, lançado bem às vesperas da nossa viagem. O guia apresenta uma classificação minuciosa, elaborada por um jurado, contemplando 30 especialidades; e, a partir de cujas referências, pudemos escolher pelo melhor preço, pelo tipo de cardápio, roteiro mais fácil de acesso, etc. etc. Há indicações do melhor em cada especialidade (restô, lanchonete, bar...), além de uma descrição detalhada do serviço e estrutura de cada casa. Uma mão na roda. Esse guia foi nosso mapa e facilitou bastante nossas escolhas e deslocamentos.

Passamos cinco dias, vimos o que podíamos e o bolso permitia, mas as opções existentes eram centenas, entre as mais e mais competitivas entre si.

O meu ponto vista sobre o restaurante do hotel, já dei acima. Quero destacar o café da manhã, com todos os ingredientes de um caprichado café nordestino, como tapiocas doces e salgadas, cuscuz, inhame, macaxeira, coalhada, queijos de coalho e manteiga, frutas tropicais, além de, claro, aqueles triviais nos cardápios de hotéis  (pães, frios, frituras, etc.).

Na extrema esquerda do arco, fica o restaurante do hotel Parque da Costeira:

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Parque_da_costeira_restaurante

Dentre os restaurantes da cidade que conhecemos, o que mais apreciamos foi o Falésias, na praia de Cotovelo, um lugar paradisíaco que fica mesmo no alto de uma falésia, que oferece uma sacada imensa para o mar e as falésias, onde nos servimos de um dos pratos mais honestos e inesquecíveis de camarão que já experimentamos.

Esta é a paisagem vista do terraço do restaurante:

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Refiro-me também ao restaurante Camarões Restaurante, em Ponta Negra, bem frequentado e especializado em frutos do mar. Há quatro unidades na cidade e o nome do estabelecimento dispensa comentários sobre o melhor da casa, pois detêm os seus próprios viveiros de camarões. Apesar da fama de ser um dos mais caros, consideramos que um prato farto da iguaria, para duas pessoas (e, às vezes, sobra), em torno de RS42,000, compensa.

A fachada do restaurante:

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Alguns dos pratos servidos no Camarões: peixe frito e camarão potiguar.

Camaroes_restaurante_moqueca_de_cam

Um dos nossos melhores achados foi a Barraca do Canário, refúgio onde provamos um típico caranguejo ao molho de coco, quebrado ao martelo. A comida é excelente, como também o atendimento. Ambiente totalmente rústico e descontraído, situado praia na de Camurupim, nos arredores da cidade de Nísia Floresta. Praia tranquila, sem poluição, com um ventinho bom que sopra intermitente [observem a curvatura dos coqueiros] e grandes piscinas naturais, é o paraíso das famílias, especialmente, daquelas que têm crianças. Confesso que minha vontade era de nunca mais sair daquele lugar.

Eis a barraca de praia, à sombra de coqueiros:

Img_1277_3

Fotos: Restaurante Camarões - skycrpercity.com; interna do restaurante do hotel Parque da Costeira - thomson.co.uk .