1492: Conquest of Paradise
Samuel Barber: Cinema Choral Classics
Entre uma pausa e outra para o recreio, venho conferir a performance de Dira Paes no novelão das oito: make up, saliência, trejeitos, enxerimentos. Nos diálogos, então, ela já chega matando...putz! Você não vale nada, mas eu gosto de você / Eu só queria saber por que...
Num palácio, em Montevidéo, Uruguai.
De costas para a Pirâmide da Lua. Teotihuacán, México.
Em Taxco, no México - cidade antiga, onde se produzem as mais lindas jóias com a melhor prata do mundo.
No Castelo de Chantilly, na França.


Sanctuaire Gallo-Romain de Champlieu, nas imediações de Compiègne, numa estrada antiga que liga Sanlis a Soisson (na França).
É uma delícia passear em Amiens, principalmente, à noite, ou papear e bebericar nos seus restaurantes e cafés à beira do romântico
cais.
Nos jardins do Castelo de Compiègne, França.
Em Montpellier, no sul da França.
E com os Amigos que dão sentido a nossa vida.
Embora estes novos tempos não estejam para brincadeiras - recessão, pandemias, instabilidades climáticas - não arrefece em mim aquela falta, aquela vontade de viajar por aí, de, literalmente, pôr os dois pés na estrada.
Em tempos bicudos e com uma tese que não fecha, vejo o tempo passar celeremente e escoar por entre os dias e as noites mal dormidas.
O confinamento, mesmo por uma boa causa, tende a ser opressor, se não vislumbrar um crescimento mais adiante. Não fosse a luz que vejo no fim do beco, já teria pirado no meio dessas pilhas de livros e papéis amarfanhados. O estudo, e o esforço para compatibilizar o trabalho e as circunstâncias domésticas, é uma luta renhida, e cujo fim parece longínquo. Mas, sempre no final, a gente sabe, o esforço é compensador.
Deixe estar que, muito em breve, passarei a limpo toda essa história, os detalhes desta empreitada, os sumiços do blog, da vida social, os aperreios e a grande satisfação interna de ver um "filho/a" ser gerado.
Para aqueles que já enfrentaram a maledita deve ser uma história comum e repetida. Para quem não viveu ou ainda planeja tal coisa em sua vida, talvez se interesse por esse processo.
De modus que eu não poderia estar mais sedenta de sair um pouco dessa rotina, de viajar, de rever cores e matizes diferentes, de aspirar a brisa promissora da civilização, curtir a família comme il faut, e de correr pros abraços dos ausentes.
Bom. Essa ansiedade repentina, não vem assim, sem mais nem menos.
Depois de ter sido obrigada, premida pelas ameaças de inundações nesta casa, com as chuvas e infiltrações constantes (problemas bem comuns da zona praieira onde moro) comecei a tarefa de digitalizar os álbuns, principalmente os mais antigos. Não poderia haver uma hora pior para fazer isso, já que os prazos da tese estão se esvaindo. Enfim... não tive escolha. O mofo, a umidade estão destruindo todas as nossas lembranças.
Em dois dias, correndo atrás do preju, digitalizei cerca de duzentas fotos, inicialmente, daquelas viagens memoráveis. Decidi começar pelas mais antigas e que ainda possibilitavam uma relativa visualização. Mas, muitas imagens já foram definitivamente perdidas.
E você, caríssimo leitor, apesar da nova paixão pela maquininha digital, quando vai reconhecer que aqueles álbuns, produtos da sua rolley flex, largados no fundo do armário, ou dispersos entre as dezenas de gavetas, precisam ser resgatados, despertados e preservados? Verifique se não desbotaram, perderam a cor... Não é só a umidade que corrói as nossas lembranças, mas o esquecimento, a indiferença pelas nossas experiências e bons momentos da nossa própria existência. Nem tanto pelo apego ao passado, mas devido ao grande valor que repesenta o registro das nossas vidas. Afinal, é aí que reside também a história do nosso futuro.
Fotos: Mais, da curtição de digitalizar o analógico, os Amigos podem ver no Facebook.
Paris - a mais das mais, merece um post à parte.
É filhote do outro filho. Tem oito meses e porte médio, nem grande nem pequeno. Devora a ração, mas prefere morder e enterrar o osso. Enterra até nos jarros de plantas. Inquieto, traquina, brincalhão, expressivo, comilão. Amigável, não estranha os estranhos. Vez por outra, porém, sem ter nem pra quê, cisma de latir pra desconhecidos. Elegante, clássico (tem nome inspirado na mitologia), vive maquiado, mas é de cauda empinada e da pá virada, destruidor, teimoso - quando se fala com ele, ele se finge de surdo, só escuta o que lhe convém. Acrescente-se a lista de estragos: uma rede detonada; um casaco de frio rasgado, imprestável; um celular quase devorado; uma almofada toda mordida; uma cadeira de vime desfiada; a ração do Xano sempre ameaçada. Foge do mata-mosca como o diabo foge da cruz. Sabe quando apronta, corre em rodopios e passa pitu em todo mundo. Seu maior talento, entretanto, é a chantagem, quando meneia a cabeça, faz a cara triste de cão rejeitado. Fujão, passou quase duas semanas fora de casa, trouxe consigo magreza, anemia, infecção e carrapatos. A conta da farmácia é o obstáculo para o tão necessário adestramento do bebê trapalhão.
"Hiltinho Japa quebrou Mariana Boto no pau e ficou por isso mesmo".
Faço coro com toda a comunidade pessoense - que clama na internet pela Lei Maria da Penha, indignada com esta estúpida agressão -, e com Tião Lucena, destacando aqui a minha admiração por esta denúncia pública e pela "não subordinação aos poderosos". Até este momento, mantêm-se silentes e omissas as entidades e instituições guardiãs dos direitos das mulheres.

Precisa sair pra balada e deseja aquele visu das celebridades, d'olhos arrebatadores... mas não sabe nem pegar no pincel? Veja aqui o passo-a-passo de como alcançar o look das estrelas, usando "sombras barateeenhas, porém dignas" - como diz a autora.
Aficionada como sou pelos resultados dos achados arqueológicos e, muito mais, quando se tratam de obras raríssimas, ou melhor, de relíquias, dei pra ficar "viajando", realmente, nessa notícia.
Autoridades do norte de Chipre acreditam ter encontrado uma versão antiga da Bíblia escrita em Siríaco, um dialeto da língua nativa de Jesus. O manuscrito foi encontrado em uma busca policial sobre suspeita de contrabandos de antiguidades. A polícia cipriota acredita que o manuscrito teria cerca de 2000 anos. Especialistas disseram que o uso de caracteres ouro sobre o manuscrito data de mais de 2000 anos. Mais informações estão no Yahoo!News
O difícil, para leigos, como eu, é separar o joio do trigo. Uma idéia para acompanhar as investigações é seguir fontes seguras e oficiais que reflitam e questionem os achados.
Há quem veja nesta obra uma aberração.
Eu só queria saber por que. Se diz respeito aos padrões arquitetônicos e/ou artísticos ou, simplesmente, à visão de quem, politicamente, não concordava com a construção deste monumento na ponta do Cabo Branco. Ouvi críticas quanto aos vacilos dos mentores da obra no atendimento aos padrões de conformidade da acessibilidade. De resto, vejo muita beleza e utilidade pela sociedade.
Foto: Detalhe da torre-mirante da Estação Cabo Branco de Ciência, Cultura e Artes, de João Pessoa.
Veja também foto de Sonia Furtado.
Divido o que conheço
De um lado é o que sou
Do outro quanto esqueço.
Por entre os dois eu vou.
Não sou nem quem me lembro
Nem sou quem há em mim.
Se penso me desmembro
Se creio, não há fim.
Fernando Pessoa
Imagem: O Pilha Blogs
2008 perdeu-se na poeira da estrada.
Não ousei fazer balanço algum, nem lista de prioridades.
A sombra de uma perda já foi suficiente pra obscurecer o brilho dos ganhos - que nem foram tantos. Sem falar que não se pode quantificar perda ou perdas que, no singular ou no plural, já são incomparáveis.
As que doem mais, na verdade, são aquelas de gente e bichos amados.
Nem tenho competência pra falar da dor de perder a minha mãe, que, por ser tão profunda e complexa, as palavras soam inúteis, inexpressivas em seu real sentido e dimensão.
Estou falando de amor, pois sei que nem todo filho é filho de uma mãe.
Órfãos sabem o sentido de uma despedida sem retorno.
Lares são desfeitos; os dias eternizam-se numa tarde cinza; as luzes esmaecem; não há mais risos de felicidade, só de conformação; não há mais o prazer da presença, nem presença que preencha o quarto vazio, a quietude que inquieta, o silêncio dos gestos, das palavras. A falta. O nada. Só a dor da perda e a saudade sem remédio, sem esperanças.
A inescapável certeza de que nunca mais se vai correr para o abraço.
Sofri grandes decepções e perdas de pessoas. Mas, pelo menos uma, seguiu o curso natural da vida. Foi buscar a felicidade, suas melhoras, seu destino.
Dois pets eu perdi no mesmo ano. Depois de dar abrigo, casa-comida-e-roupa lavada, criar laços, saíram, assim, sem mais nem menos, deixando-me de coração partido.
Por essas e outras, 2008 já foi tarde.
Texto de Adelia Borges:
"Janete Costa faleceu ontem, dia 28 de novembro, em Olinda, depois de longa enfermidade. Nascida em 3 de junho de 1932 em Garanhuns, PE, Janete formou-se em Arquitetura no Rio de Janeiro e desenvolveu uma carreira marcada por grandes contribuições nos campos da arquitetura de interiores, design expositivo, design de produtos e divulgação da arte popular e do artesanato brasileiros.
Casada com o arquiteto pernambucano Acácio Borsoi, Janete teve uma vida sempre rodeada de pessoas.Teve três filhos do primeiro casamento – Lucia, proprietária da galeria Amparo 60, em Recife; e Claudia e Mario Santos, arquitetos, residentes no Rio de Janeiro - e uma filha do casamento com Borsoi, a arquiteta Roberta, que mora em Olinda. Janete deixa uma legião de admiradores, que lembram dela não só como uma batalhadora obstinada, incansável, mas sobretudo como uma mulher extremamente generosa, afeto em estado bruto que derramava às pessoas ao seu redor, sem distinções de classe social, cor da pele ou qualquer outra circunstância.
Em Janete, ser brasileira – e, mais ainda, pernambucana – não foi mero adjetivo. O local de nascimento foi decisivo como norte de sua atuação, balizador. Ela teve um empenho visionário na questão de que a arte, o design e a arquitetura em nosso país precisam expressar as identidades culturais locais. Em sua trajetória, exercício profissional e vida pessoal sempre andaram junto com o exercício da cidadania. Teve uma ação decisiva em valorizar não só a arte popular brasileira, mas também os artistas, procurando sempre contemplar a questão da inclusão social e da geração de renda por meio de seus projetos.
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Acabo de chegar de mais uma das minhas introspectivas viagens ao meu interior.
Domingo foi Finados e nossa família fez a primeira visita ao último refúgio da nossa querida e inesquecível Lady Laura. Ela se encontra sepultada no povoado da Ramada, próximo da Barra, fazenda onde ela nasceu, que foi dos meus avós, e hoje é habitada por meus tios maternos.
Fomos eu, Elias, Pippe e Bebeta, minha irmã.
Como sempre costuma ser, quando visito esses lugares amados de minha infância, costumo submergir inteiramente no passado. E não poderia ser de outra forma. Parte da família ainda permanece morando no mesmo lugar. Encontrar essas pessoas é reviver as antigas emoções, relembrando a convivência feliz e cheia de presenças, mas sentindo a nostalgia do vazio deixado pelas ausências definitivas daqueles que já não se encontram entre nós. Senti-me tremendamente abatida ao adentrar naquela casa.
Foi a primeira vez que nos reencontramos com os parentes, depois que nos despedimos de mamãe, uma pessoa que era muito estimada por toda a família.
Apesar da saudade e das repetidas referências sobre sua vida, procuramos amenizar a melancolia, relaxar, e rememorar mais os momentos alegres. Fizemos almoços deliciosos. Meus tios Nivaldo, Márcia, Valdenora e Genilda prepararam um carneiro, uma suculenta buchada com sarapatel, um peru, e curimatã (peixe de água doce) ao molho de coco. Daqui, levei um peixe dourado - do qual fiz moqueca - e também o fiz acompanhar com arroz ao curry e batatas gratinadas. Ai, como comemos por esses dias. Sem esquecer o mungunzá, a coalhada com rapadura, o doce de gergelim, feitos sob as mãos habilidosas de Genilda.
As imagens falam mais do que palavras. Prefiro, então, mostrar um pouco desse ambiente e do clima que minha humilde câmara digital conseguiu flagrar. O tangível é possível de ser reconhecido. Em contraste, o sentimento que transborda a nossa alma ela jamais será capaz de apreender ou retratar.
No casarão secular da Barra, à sombra do tamarindo e da lembrança de Laurinha.
De trás pra frente: 1º fila: Pippe, meu filho; Nilbert, primo, e Nivaldo, meu tio e pai de Nilbert; na 2ª fila: Valdenora, minha tia; Bebeta, minha irmã, e Genilda, minha tia; à frente, Elias; na 3ª fila: Márcia, minha tia postiça, esposa de Nivaldo; e Silveira, meu tio postiço, esposo de Genilda, e Nidielle, filha de Márcia e Nivaldo.
Um ângulo da casa da Barra ao entardecer.
Outro ângulo da casa. Por uma trilha vicinal, chegamos ao oitão da casa da Barra, com suas costas viradas ao poente. É por onde se entra para a fazenda.
O horizonte da Barra, até onde os olhos e a saudade alcançam. Vista a partir do alpendre da casa grande. O pontinho branco na imensidão azul [clique na imagem] é a igreja da Serra do Comissário. O morro, ao centro, logo abaixo, marcado com uma trilha é o povoado da Prensa.
Lembro que este período é tempo de seca neste sertão nordestino, motivo pelo qual as paisagens se apresentam bastante áridas.
Aqui, é o marco onde se inicia a entrada para o casarão, o lugar do coração. Na estação das chuvas isso tudo enverdece e esta árvore fica totalmente lilás. Mas gosto dela também assim, ostentando uma beleza agressiva, selvagem.
Amanhã, mostrarei mais fotos da Barra.
Seu Hermógenes Martins, uma figura proeminente de Crato, era grande amigo do meu pai. Através deles, conheci, na década de setenta, a esposa D. Aracy e as filhas solteiras do seu Hermógenes, Fátima, Célia e Norma, que seriam, até hoje, amigas do coração. O casal - assim como meus pais - já partiu, mas tenho essa família como referência de amizade ao longo da minha vida. Estamos na terceira geração sem perder o vínculo.
Na época, morávamos em cidades vizinhas (Juazeiro do Norte e Crato), e nossos encontros eram muito frequentes. Eu costumava passar fins de semana na casa deles, onde sempre fui bem acolhida. Crato era uma cidade social e culturalmente bem movimentada, além de ser ponto de encontro entre as juventudes douradas de Crato-Juazeiro e Barbalha.
Adorava acompanhar meu pai em suas visitas ao S.H., independentemente das relações de amizade que tinha com as meninas. Todo encontro com ele era sempre uma aula de cultura, conhecimento, educação e amizade. S.H. era um autodidata, estudioso das riquezas e da cultura de sua terra, de sua gente. Era um gentleman (desculpem o arcaísmo): polido, culto, de boa conversa e, de fino trato, recebia como ninguém. Sua casa era "o point" para intelectuais, artistas, amigos e hóspedes, assim como eu.
Há algum tempo, venho inspirada a escrever aqui sobre o que representou para mim aqueles belos dias no Crato. As lembranças da época, e do nosso convívio, que guardo comigo são motivos para futuros posts. Mas, antes disso, prefiro mostrar aos leitores, a apresentação de S.H. feitos por seu sobrinho-neto, do blog Sonocrato, que, além disso, conta uma historieta pitoresca acontecida nos domínios do S.H.
Seu Hermógenes e D. Aracy, na praça localizada em frente de sua casa, na rua Cel. Secundo. Foto confiscada do Orkut de Fátima, sua filha.
"A CONFUSÃO
O meu tio-avô Hermógenes Martins, tio do Luís, foi um personagem ímpar, no Crato. Homem de pouca instrução formal, mas detentor de um grande conhecimento, fruto de sua incrível curiosidade. Era o geólogo e o paleontólogo do Crato. Conhecia tudo sobre rochas e fósseis. E o Cariri é o maior depositário de fósseis de peixes do mundo. Qualquer cientista que chegasse à cidade, para desenvolver pesquisas, trazia o seu nome e endereço: Coronel Secundo, 8. Cientistas brasileiros, japoneses, americanos e europeus não davam um passo sem ter a assessoria do Tio Hermógenes.
Também dominava, como poucos, os estudos genealógicos. Foi ele quem descobriu onde nasceu o grande Delmiro Gouveia.
Outra característica, que se sobressaia sobre as demais, era a facilidade de fazer amizades. Um dos seus grandes amigos era o notável Luiz Gonzaga, o sanfoneiro e o pai dele. A amizade era tanta que o velho Januário se hospedou durante quinze dias na casa do tio Hermógenes, para submeter-se a tratamento médico, enquanto o filho, famoso e querido de todos, fazia shows pelas cidades vizinhas.
O Tio Hermógenes teve quatro filhas: Ruth, Norma, Fátima e Célia. As três últimas eram pequenas, quando se hospedou o Sr. Januário. Uma delas foi atender alguém que batia à porta e, falando com um vozeirão, disse:
- 'O velho Hermógenes está?'
- 'Está lá dentro'
- 'Pois diga que é o Luiz Gonzaga'.
A menina, meio confusa, pensando no primo Luís Gonzaga, disse para o pai:
- 'Papai, tem um negro lá fora, dizendo que é o Luis Gonzaga!!' ”
Há muitos e muitos anos que penso à maneira de Richard Bourne, que acaba de lançar um livro sobre Lula [informações do blog Entretantos].
Antes de Lula fracassar na educação deste país, ele já havia fracassado na própria educação. Na década de oitenta, quando já era um líder admirado pela massa, julgou-se acima do conhecimento, apoiando-se no mérito de ter vencido sem uma educação formal. Aliás, digo também, não é apenas a vaidade do conhecimento que é irmã gêmea da arrogância. A burrice em não admitir a sua própria falha e em não ter lutado pelas oportunidades educacionais que a vida lhe negara, desdenhando do conhecimento, sob a argumentação de que chegou ao topo sem que aquela condição lhe fosse requisitada, é um sintoma lastimável de arrogância, e uma evidente contradição, por não ser exatamente um zeloso guardador da língua materna, da qual não entende, e cuja reforma ortográfica, acaba de sancionar.
Sábado - um pouco cansada e de saco cheio de uma figura machista, recalcada, desrespeitosa, e que se sente o ó do bobó, sem conhecimento técnico do que tanto questiona - entrei na sala de aula pronta para encarar o(a) medíocre e, quem sabe, oferecer-lhe voz e palco para que exibisse a sua "competência". Eu, normalmente discreta, porque exerço um controle férreo sobre meus próprios impulsos e sempre aciono o mantra da educação, educação!, estava naquele dia pronta para perder minhas estribeiras e dizer-lhe umas boas verdades. Mas, a sumidade, travestida em sua mediocridade, entrou muda e saiu calada, diante da manifestação de desagravo e aprovação da minha galera preferida, porquanto, tive direito a carinhos, afagos, abraços, flores, fotos, comes e bebes, e afins. Um dia que prenunciava uma onda de mar revolto, terminou com um "parabéns pra você" pra mim e com minha alma inteiramente lavada. Thanks, amigos e alunos, com vocês sou aprendiz da vida!
Ando deprimida e severamente revoltada com a violência escancarada da pedofilia grassando solta e quase sem controle neste país. Todos os dias, invariavelmnte, os jornais da minha terra denunciam e mostram os monstros que, na maioria das vezes, sem um pingo de medo das leis e nem vergonha nas caras, contam histórias com detalhes escabrosos de suas experiências, sem o menor pudor, sem dó nem piedade das crianças indefesas. Nessas horas, meus sentidos pulsam pela pena de morte.
Vamos cantar 'parabéns pra você' pra mim!
A Tua Morte em Mim
A tua morte é sempre nova em mim.
Não amadurece. Não tem fim.
Se ergo os olhos dum livro, de repente
tu morreste.
Acordo, e tu morreste.
Sempre, cada dia, cada instante,
a tua morte é nova em mim,
sempre impossível.
E assim, até à noite final
Irás morrendo a cada instante
da vida que ficou fingindo vida.
Redescubro a tua morte como outros
descobrem o amor,
porque em cada lugar, cada momento,
tu estás viva.
Viverei até à hora derradeira a tua morte.
Aos goles, lentos goles.
Como se fosse cada vez um veneno novo.
Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso.
O remorso de todo o perdido em nossa vida,
coisas de antes e depois, coisas de nunca,
palavras mudas para sempre, um gesto
que sem remédio jamais teve destino,
o olhar que procura e nunca tem resposta.
O único presente verdadeiro é teres partido.
Excerto do poema "A Tua Morte em Mim",
de Adolfo Casais Monteiro.
Foto: Mamãe com Pippe, numa viagem Brasília-Juazeiro do Norte, em 1986.
Se não for poético, isso...
Cumprimentos a Rip Hopkins e Godefroy de Virieu que com um leve traço conseguiu uma sanita espirituosa.
Sim, é grave, eu sofro de "discomgoogolation"
E você, não?...
Um hormônio essencial, a oxcitocina (também conhecida como "hormônio do amor"), relacionado à lactação, ao orgasmo e ao afeto, pode ajudar a entender dinâmica neural, fornecendo explicações surpreendentes para um fenômeno importante, e que pode ser útil para compreender o processamento de diversas outras áreas do cérebro. São as conclusões a que chegaram pesquisadores ingleses, escoceses, italianos e chineses.
Mais aqui: Mente e Cérebro; Último Segundo; Matrice.
Imagem: ©NAJIN/SHUTTERSTOCK
Por muito tempo, eu já não lembrava o que era, como era, um aboio.
Faz uma semana, retornei, depois de longos anos, ao Angico Torto, uma das fazendas do meu falecido avô, e que agora é objeto de herança. [Angico Torto localiza-se no município de Aparecida, antigo distrito de Sousa, que abriga o vale dos dinossauros, em pleno semi-árido nordestino].
Fui com uma tia fazer um reconhecimento do espólio, na condição de representante da minha mãe inesquecível.
E estava assim, distraída, quando, de repente, escutei o vaqueiro aboiar, tangendo o gado.
Senti uma fisgada no coração. Uma torrente de emoções e lembranças, irromperam como num filme.
Lembrei que, toda tardezinha, quando o meu vô Zuca e seu vaqueiro transportavam o gado do pasto para o curral, um cenário se repetia.
O sol deitava no horizonte. Sempre fazia calor. Do alpendre da casa grande da Barra, eu assistia, todos os dias, ao mesmo ritual, junto com minha avó e tios.
O aboio do vaqueiro misturava-se aos mugidos, que se misturavam à sonoridade dos chocalhos, ao galope do cavalos, ao trotar do gado, ao lamento de Luiz Gonzaga,
"Numa tarde bem tristonha
Gado muge sem parar
Lamentando seu vaqueiro
Que não vem mais aboiar
Não vem mais aboiar
Tão dolente a cantar
Tengo, lengo, tengo, lengo,
tengo, lengo, tengo
Ei, gado, oi..."
Em quinze minutos, não mais do que isso, o sol se punha. E uma brisa promissora chegava com a noite e o silêncio no campo. No coração da casa, um outro ritual se enredava: queimava-se o esterco do gado para espantar as muriçocas, acendia-se o lampião a gás, a cozinha entrava em polvorosa, cheiro de café fluía pelas entranhas da casa, enquanto ressoavam os barulhos de pratos, talheres e canecos que timbungavam dend'água dos potes. À zoada da cozinha, cruzavam-se as múltiplas e estridentes vozes que vinham do alpendre, as gaitadas espaçosas das anedotas sobre os sestros e cacoetes de Manoel Benedito. Formava-se um grupo, quase uma multidão, quase uma festa, entre familiares e convivas de seu Zuca Benício, esperando a ceia.
Sim, na Barra, o jantar era ceia. E uma ceia farta de coalhada com açúcar mascavo, munguzá com leite ou toucinho frito, batata doce, jerimum, ovos de galinha de capoeira, tapioca com manteiga de garrafa e queijo feitos em casa pela minha avó Otília. Não esquecendo a gula que, sendo um pecado à parte, exigia sempre carne com muita gordura, um perigo.
A prosa do alpendre se prolongava à mesa, que depois retornava ao alpendre. Contavam-se as novidades, falavam-se sobre pessoas conhecidas e sobre gado, sobre feiras, roçados, relatavam-se causos. Até pairar um clima de bem estar, um silêncio e o relaxamento - apesar do cansaço -, e se esticarem as redes por toda a casa.
Daí, a boca da noite vira uma fresca madrugada, noite escura, estrelada de vias-lácteas, vagalumes, cruzeiro-do-sul e almas de outro mundo. Vez em quando, lá de fora, o inesperado som de um chocalho. A noite adentra sorrateiramente, alheia às batidas do relógio, entre redes armadas e, por entre ressonares dos dormentes, despertados finalmente com a alvorada e o canto da passarada.
Daqueles tempos, até o presente, não sei o que foi feito do encantamento, daquela menina, pelo burburinho da fazenda. Do distanciamento, para tocar os estudos, formar família, e as moradas em sucessivas cidades, mais a dispersão dos parentes, as perdas dos entes queridos; só me restaram a saudade e um vazio, a partilha de um mundo desfeito, jamais reconstituído. Nada trará de volta o meu povo, o meu sertão, meu tamarindo. Somente as ilusões de reencontrar o tempo perdido, despertadas pelo aboio de um vaqueiro, "demoram-se na beira da estrada / E passam a contar o que sobrou."
Eh, ôô vida de gado.
Proust disse que "a verdadeira viagem de descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ver com novos olhares". Uma das paisagens mais presentes nas janelas de minha infância, era esse morro azul, parecendo, à distância, um réptil majestoso, superior, mas rastejando. Avistava do casarão de meus avós, na Barra. Quantas vezes me peguei a fantasiar sobre a vida deste morro, sobre o que haveria lá e além dele. Como seria ele, de fato, numa visão mais próxima? Justo nos funerais da minha saudosa Lady Laura, num clima de extrema dor e introspecção profunda, eu o encarei com novo olhar. Eis que, de perto, ao vivo, mais me pareceu uma galinha chocando.
O filme publicitário e o site do Hot Wheels Crashers, da Mattel, podem ser suspensos. O Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) concordou com a denúncia de publicidade abusiva feita pelo Projeto Criança e Consumo no mês de julho.
De acordo com informações do Instituto Alana, o parecer teria afirmado que o site e o comercial de TV são direcionados ao público infantil e incitam a violência, “o que fere o artigo 37 do Código da entidade”.
A Mattel ainda pode recorrer da recomendação.
Íntegra da “Denúncia de Publicidade Abusiva: comercial televisivo e site na internet”, do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana
Fontes: Instituto Alana, Rede Pitágoras
Não tem preço.
Ver Naiana lavar a louça à beira do açude, ao amanhecer, foi quase o mesmo que viajar no tempo, rever minha avó Otília agachada, lavando roupa da família no velho açude da Barra, há mais de quarenta anos, em tempos felizes. Enquanto ela, minha avó, lavava, eu ficava por ali, me banhando, mergulhando, brincando com as piabas, fazendo bonequinhos e panelas de argila, ou pelos arredores, procurando ninhos de passarinhos e abrindo as melancias que encontrava além do sangradouro.
Minha avó nem tinha noção que me deixaria essa lembrança para séculos sem fim, amém.

As imagens de minha avó, ora com a trouxa de roupa na cabeça, ora com suas roupas completamente molhadas, com as roupas quarando ou secando ao sol, coloridas ao vento, estendidas nos arames das cercas, evocam todo um passado de costumes e hábitos quase desaparecidos, até mesmo pelo interior.
Essas imagens também me trazem, em cadeia, antigas lembranças de uma figura bem presente nas nossas vidas, em décadas passadas: a lavadeira. Hildergardes Viana fala muito bem da personagem que realizava um dos trabalhos mais árduos, e que eram não somente lavar, mas ainda, passar (engomar) roupa, como profissão.
Minha avó não lavava "pra fora", mas apenas a roupa da família - naquela época, 13 filhos e mais alguns netos. Com sabão em barra (que ela mesma fabricava) e anil. Não existiam a água sanitária, nem amaciante. Para retirar as sujeiras mais difíceis, ela costumava bater a roupa na pedra.
Algumas fazendas não possuíam tanques ou lavanderias, porque não havia água encanada. As mudanças vieram pouco a pouco, mas não sei ao certo o que veio primeiro, se os poços artesianos ou a energia elétrica, trazendo inovações como as máquinas de lavar roupa. Assim, felizmente, minha avó não lavou roupa em açude a vida toda.
Ao falar em lavadeiras, outra lembrança muito forte que me ocorre é a da minha mãe, que foi, desde que se casou, uma dona-de-casa, mas morava na cidade. Como nos primeiros tempos as nossas casas eram simples, a maioria das casas do interior, não tinham lavanderia. A nossa roupa era lavada e passada, literalmente, pelas lavadeiras. Havia os dias certos para tal serviço, assim como, um certo ritual. Era comum juntar-se a roupa suja em sacos feitos especialmente para esse fim. Os de minha casa, eram sempre de algodão, branquinhos, personalizados, com alegres bordados, em que se viam, geralmente uma camponesa ou cenas campestres. Os sacos tinham, quase sempre, dois bolsos externos, um para lenços e outro para meias, e ficavam pendurados na parede do quarto como parte da decoração.
No dia marcado, quando a lavadeira vinha buscar a roupa, minha mãe dobrava um lençol ao meio e o estendia no chão, onde esvaziava o saco e amontoava a roupa sobre o lençol, à qual juntava as barras de sabão e o anil para alvejar a roupa; e depois, amarrava as quatro pontas do lençol, formando uma trouxa. A lavadeira seguia porta a fora com a trouxa erguida na cabeça. Passavam-se dois ou três dias, e ela retornava com a roupa lavada, engomada, normalmente, a ferro de brasa, e dobrada.
Os tempos mudaram tanto. Até mesmo as últimas lavanderias coletivas, que ainda resistem nas pequenas cidades, ameaçam desaparecer, reduzindo mais uma - ou a única - fonte de renda e trabalho para as mulheres - um trabalho precário, não legalizado e penoso. Nos sítios e fazendas, embora as lavanderias já sejam constantes, ainda se vêem muitas lavadeiras lavando roupas em açudes. Nas cidades, com a disseminação das brastemps e dos tanquinhos, a mulher vai, paulatinamente, desistindo dessa atividade braçal.
Foto minha: Naiana lavando louça no Riacho do Barro.
Ilustração: As lavadeiras faziam assim, Jangada Brasil.
Com a companhia esfuzinte e charmosa da minha prima Amandinha, a pequena grande defensora dos animais.
Cheguei ontem de uma marcante viagem ao meu reduto do interior, das lembranças e heranças dos meus antepassados.
Todo o repertório de fotos deste passeio está no meu photo album Trilhas do Interior.
À
frente só enxergo montanhas de livros, canetas, riscados, etiquetas,
rascunhos, e a imensa e fantasmogênica presença do meu orientador.
Den'demim, só há um trapo de pessoa, baranga dos dias e das noites sem fim, diante de mon écran, enclausurada em torre de marfim, visivelmente demodé, alienada dos tempos, esquecida dos colegas de trabalho e dos amigos do coração.
Deste
cantinho, minúsculo espaço onde só caibo numa cadeira sobre o traseiro
cansado e moldado pela eterna posição de estudante, cujo cérebro
vagueia na longa jornada e penosa lavagem, para provar não-sei-o-que,
nem-sei-pra-quem... Cá estou, varando noites silentes, desertas, quando
apenas a arrogância dos eruditos contrastam com a ingenuidade e
humildade da aprendiz que nada sabe sobre nada e tudo ignora, em pleno
degredo, desterrada do terrritório de minhas manipulações, das
caçarolas e alfárrabios engraxados de gordura, do precário e precioso
fogão, e dos familiares cheiros de vida.
Sabe-se lá quando um dia poderei voltar a produzir meu próprio sustento, doce mel da minha existência.
Sabe-se lá quantos chás com bolachas ainda sustentarão esta penúria.
Sabe-se lá quando será o coffee-break...
Entre
uma solidão e outra, certa noite, nesta nave iluminada, as lembranças
gustativas arrancaram-me das mal traçadas linhas, para uma inesperada
trilha nostálgica. Para um lugar querido, tempo longínquo, remoto,
quiçá outra dimensão, quando eu não passava de uma menina-quase-mulher
cheia de sonhos, estudante deslumbrada, enamorada e ansiosa por um
lugar ao sol.
Vi a imagem de uma garota feliz com um din-din azul,
que me transportou pro meu interior, num dia de sol, na feira livre de
Santa Cruz do Inharé, estudantes em algazarra, quando trabalhávamos
duro para conquistar a nossa noite de sonhos - o baile de formatura -
vendendo jarras de refrescos e picolés de Q-suco.
Quando penso
hoje, que não se deveria apreciar as tubaínas, essências simbólicas do
nosso mundo descartável, que não faço a mínima idéia de como se pode
deglutir esses xaropes, quase esqueço que as coisas simples e prosaicas
também serviram para construir os meus sonhos...
E, quando a
memória reluta em trazer as experiências do melhor tempo vivido, do
desejo de conquistar o mundo, admito que a comida ou a bebida presente
nessa lembrança não é a que embeleza a mesa, mas aquela que nutre a
alma.
Importante é que não exageremos na viagem. A vida real é
hoje, aqui, agora. E que, como dizem: "a lembrança é como o sal: a
quantidade certa dá tempero a comida, mas o exagero estraga o alimento.
Quem vive muito no passado, acaba sem presente para recordar."
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Post originalmente escrito para o Feito em Casa.
Foto: Como está visto, viajei na viagem de Alexandro Gurgel a Santa Cruz do Inharé.
Uma das mais lúcidas e incisivas constatações sobre as utilidades e funcionalidades da incompreendida internet, eu li nas palavras de Rafael Rodrigues, Twitter e as amebas >>
Corrigindo: "o Rafael que escreveu o texto sobre o Twitter foi o Rafael Fernandes". Desculpem, ambos e os leitores, o lapso de atenção, provocado, talvez, pelo trocadilho.
Ontem, dia do aniversário de Maria Clara, às primeiras horas da matina:
Clara: Mãe, eu já completei cinco anos?
Mãe: Já, você agora tem cinco anos.
Clara: Mas eu nem senti que cresci!
Depois, muitos dias depois, venho contar para vocês que Elias lançou o seu livro. Queria contar em primeira mão, antes mesmo do lançamento, que foi no mês passado, mas pretendia publicar aqui as fotos do evento, ou pelo menos, a foto do livro. E não é que, na ocasião, nossa câmara, simplesmente, não funcionou, e passamos esse tempo sem poder fazer o registro. Estávamos, também, preocupados com tantos detalhes que esquecemos de verificar quem fotografou.
Falar da sensação de sonho realizado, é chover no molhado. De qualquer forma, falo aqui de um dos sonhos mais sonhados por alguém, que é de escrever um livro. E ele o fez. Ficamos felizes, família, amigos, colegas da Uiversidade, porque este livro é a consolidação de sua pesquisa, de sua dissertação de mestrado, fruto de longas jornadas e noites mal dormidas. Pioneiro no conteúdo, na informação que fornece, abrirá caminhos e será referência para outros que ainda escreverão sobre a educação no estado da Paraíba. Sem mais delongas, a foto e, a seguir, as palavras do Professor José Augusto Peres sobre a obra:

"A história do Conselho Estadual de Educação da Paraíba estava para ser escrita. Estava. O professor Severino Elias Sobrinho tomou a iniciativa de escrevê-la. E o fez com competência.
O registro feito pelo ex-Presidente do CEE/PB, e conhecido educador paraibano, é útil para o hoje e servirá, muito mais, no amanhã, quando estudiosos, ou simples interessados, indagarem o como, o por que e o para que do Conselho ao longo dos seus primeiros 40 anos de existência.
Fruto de uma pesquisa extensa, minuciosa e especialmente difícil, dado o proverbial desleixo que se tem por documentos em nosso país, este livro tornou-se o repositório e agregado de informações precisas e preciosas sobre feitos, pessoas e normas que fizeram e assinalaram o sistema estadual de ensino paraibano."
Quando mais me encontro atarefada, estressada e cansada, me acomete uma síndrome, seguida da necessidade urgente, urgentíssima, de umas belas e merecidas férias. A nostalgia chega de mansinho, puxada pelas lembranças das experiências passadas, dos lugares, momentos e personas inapagáveis da irrequieta lembrança.
Tem coisa melhor do que, de tempos em tempos, passar em revista a nossa história de vida viajante? Até mesmo as roubadas, os desacertos, os micos que cometemos? E as perdas, as pessoas que encontramos e deixamos ao longo dos caminhos? As que perdemos de vista, mas não da lembrança... Amigos, conhecidos, familiares, parceiros de viagens...
Uma das coisas que mais amo fazer é viajar. Só que não o faço frequentemente, por questões várias - econômicas, de tempo, oportunidade, entre outras. Sou aquela de pés no chão e a cabeça no mundo. Mas, com a convergência daqueles fatores (raridade), sou ambiciosa nos sonhos. Longe, bem longe, é sempre onde desejo ir. Pode ser com uma boa companhia. Mas, não me importo de também ir apenas com minha pessoa. Se me fosse dado escolher e poder realizar, não me envergonha dizer que gostaria de ir a França todos os anos. A Paris, para ser mais específica.
Não conheço muitos lugares, embora tenha morado em algumas diferentes cidades no Brasil. Guardo um sentimento, um motivo diferente de querer voltar em relação a cada uma - seja relacionado às pessoas, à cidade, ao clima, a sua cultura, ou a momentos peculiares vividos.
Há muitos e muitos anos, morei numa cidade de interior, bem pequena, pouco desenvolvida, onde as luzes apagavam-se às nove da noite e nem água encanada havia. No entanto, guardo dela a lembrança de uma querida amiga de infância, com quem brincava de boneca, e fazia "guisados" no quintal de minha casa, em panelinhas de barro; sua casa era colada a minha, e tinha um pavão... Da amiga Socorro, além da saudade, guardo uma fotografia P&B de primeira comunhão... Nunca mais a vi. Mas, por ela, a cidade está definitivamente no mapa de minha saudade.
Hoje, enquanto perambulava, de google, pelas artérias da internet, encontrei esta foto de Compiègne, uma cidade francesa do departamento de Oise, capital da região Picardia. Lá, habitei uns dias, hóspede de uma amiga-irmã mineira, fazendo um curso, e integrada a outras pessoas porretas.
[Clique na foto, para ver mais legal]
Quando vi esta imagem, tal qual a que guardo na memória, me bateu uma saudade, primeiramente da cidade... Por esta rua, passei inúmeras vezes, da universidade em direção ao centro, à casa de minha amiga, apreciando a arquitetura e o passado do lugar. A foto é uma vista sobre o centro da cidade, tomada do último andar do edifício Benjamin Franklin, da Universidade de Tecnologia. Na rua que segue à esquerda, depois do edifício marrom medieval, fica a prefeitura da cidade (l'hotel de ville). E, na rua paralela à igreja de Saint Antoine (torre central, na foto), ficava a morada de minha amiga. Essa rua ainda é a referência memorável de enérgicas caminhadas do campus para cafés, boulangeries, supermarchés; de boas companhias, papos maneiros, e de contidas, mas confortáveis, gargalhadas. Inoubliable.
Imagem: Compiègne from the UTC, Wikipédia.
Para os zilhões de interessados tudo sobre a sopa de ninho de passarinhos, apreciada pela pretensa imortal Glória Maria.
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Mário Quintana
No mirante da ponta do Cabo Branco, ponto extremo oriental da América do Sul. Esq p/ dir.: Bruna (sobrinha de Gabi e Karina), Mª Clara (filha de Karina), Karina (mãe de Clara) e Gabi (irmã de Karina)
Bruna, bru'neca, banguela bela.
Karina, 'ancorada' na âncora do Cabo Branco.
Quando as meninas pegam no pesado.
Las tres mosqueteras, na praia de Intermares.
Gabi, no marco, em favor das tartarugas marinhas, na praia de Intermares, onde elas, as tartarugas, desovam.
Gabi e Karina, irmanamente posando.
Elas adoram - me too - meus mascotes trapalhões.
A doce Gabi mimando o malandro Xerife.
Claríssima, a minha flor de maracujá.
A bela que não dá ponto sem nó.
Parece um filme que agora passa em minhas retinas e nas cordas do meu coração, que já anda troncho de saudades dessa galerinha.
Clara, espevitada como sempre, evoluiu muuito. Já fala os erres, quase lê tudo. Segura qualquer papo sério. Aliás, "sério?..." é o que ela mais fala. No dominó, ninguém ganha dela. Menina esperta, meu xodó.
Karina, a mãe precoce, feitora de chocolate, duas vezes diplomada na vida. Pensem numa garota guerreira. Pra segurar a energia da Clara, tem que ser...
Gabi, tão doce, tão terna, eu queria ficar com ela para sempre. Com ela por perto, a nossa vida fica calma, como as águas de um lago em repouso.
Bruninha, é a galega agitada da tia. Formosa! Esbanja vida, alegria, fala alto, sorri em abundância, de gestos amplos, e um coração imenso. Chorou cântaros, para não ir embora, queria morar na minha casa.
E eu choro por elas todas. Sou babona mesmo, pelas minhas gatinhas e meu filhão. E daí? Snif